Empreendedorismo na advocacia: dicas para se adaptar e inovar

Desde a indústria 1.0, o mundo vive em transformação. O empreendedorismo na advocacia acompanha todas essas evoluções. Portanto, não há como a advocacia não se reinventar depois de tantos séculos e as diversas mudanças. Até porque, foi-se o tempo em que os profissionais dessa área tinham de executar as atividades que hoje são passíveis de mecanização. Nos tempos em que se vive, a atuação no Direito tem de ser criativa e as ferramentas de tecnologia, um meio para esse fim.

Entretanto, pouco pode ser feito se o Poder Judiciário não fizer esse mesmo movimento. Ou seja, de nada adianta profissionais de advocacia buscarem novas formas de atuação e o Judiciário permanecer o mesmo. Logo, ainda há uma mudança de cultura a ser realizada.

Entretanto, para que seja possível realizar essa transformação, antes, é necessário mudar o mindset, entre outras questões. O principal deles é profissionais de advocacia se reconhecerem como empreendedores. Os números do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que é pouco expressiva a quantidade de profissionais da área do Direito que recorrem ao Sebrae para planejar o seu negócio jurídico. Em parte, porque não sabem que é possível contar com essa consultoria. Em parte, porque não se veem como proprietários ou sócios de uma empresa.

Um diagnóstico feito pela entidade com esses profissionais aponta, também, que a advocacia enfrenta dificuldades em quatro níveis de gestão:

O empreendedorismo na advocacia depende, em certo nível, desses conhecimentos. Eles ajudam a compreender o mercado jurídico e a concorrência. Sendo assim, é fundamental investir, no mínimo, tempo para desenvolver a gestão do escritório de advocacia.

Caminhos para o empreendedorismo na advocacia

1. Capacitação

A capacitação está intimamente ligada à inovação. Na maior parte das vezes em que há o desejo é inovar, isso presume que é necessário haver um treinamento, seja ele formal ou informal. Assim, sair do escritório para se capacitar e participar de eventos é um passo necessário para promover a transformação e adquirir os conhecimentos necessários para estruturar o escritório de advocacia.

2. Trabalhar colaborativamente

Atuar de forma colaborativa é um grande ponto de mudança, em relação à inovação. Há profissionais de advocacia que mesmo sem qualquer conhecimento em gestão, por exemplo, relutam em contratar alguém com essa habilidade, quando a pouco dominam. Reconhecer a necessidade de agregar ao escritório multidisciplinaridades significa compreender o quanto é possível contribuir e quanto outros têm a colaborar com o empreendedorismo na advocacia.

3. Desenvolver mais e novas habilidades

Grandes empresas mundiais, como a Apple e o Google, não contratam as pessoas com base na sua formação acadêmica (mestrado, doutorado, etc.), e sim porque elas resolvem problemas.

Essa já é uma quebra de paradigma importante, considerando que altera a ideia de formação educacional tradicional.

Isso não significa que seja desnecessário estudar e se desenvolver. Mas, sim, que para além disso, as pessoas têm de ser criativas, saber como utilizar esse conhecimento, uni-lo à experiência e à emoção. Ou seja, desenvolvê-lo e desenvolver-se de uma forma tal que inteligência artificial nenhuma conseguirá se igualar.

4. Reavaliar as normas

Há questões relacionadas ao empreendedorismo na advocacia que necessitariam de uma reformulação para deixarem de ser empecilhos para quem quer empreender na área jurídica. Algumas constam no Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras no Estatuto dos Advogados.

Rever as normas é um caminho necessário a toda evolução e transformação. Contudo, o receio da maioria, de não ser dada atenção à necessidade de reavaliar certas práticas, impede qualquer iniciativa.

Contudo, embora essa seja a realidade, a manutenção dessas normativas pode não ser suficiente para impedir que a inovação ocorra. Os aplicativos de carona estão aí para servir de exemplo. A necessidade e interesse de uma grande parcela da população de ter acesso a transportes alternativos é maior do que qualquer resistência imposta.

Com isso, a conclusão a que se chega é a de que durante toda a história da humanidade, de uma forma ou de outra, as disrupções aconteceram. É possível percebê-las por intermédio das novas formas de gerar energia, de operar a logística e de se comunicar. Quando essas três percepções convergem, é quando a disrupção acontece de fato.

No entanto, de forma alguma isso significa que profissionais de advocacia perderão espaço para as inovações que estão por vir. Quer dizer, apenas, que existem e existirão ferramentas capazes de otimizar o tempo no escritório de advocacia. O que é benéfico para o empreendedorismo na área jurídica, já que permite planejar novas formas de praticar a advocacia, fazer surgir novos negócios e analisar sua viabilidade.

Há que se pensar, sim, em como agir frente a esse novo cenário que se desenha. Cenário, esse, que será onde o empreendedorismo na advocacia se desenvolverá. Algumas ideias podem surgir do eBook Escritório Digital: como a tecnologia está mudando a prática do Direito. O download é gratuito e a permissão de acesso não expira!



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