Design Thinking na advocacia: uma nova metodologia para o Direito

Como criar uma solução que respeite a privacidade das pessoas? De que maneira permitir que os esforços de inovação ocorram, porém, com respeito e responsabilidade? O design thinking na advocacia está aí para pensar em alternativas para essas e outras questões do meio jurídico. Afinal, o Brasil é um país com um alto número de processo. Entretanto, a população brasileira é uma das que tem menos acesso a Justiça. É preciso equilibrar essa situação.

Algumas soluções já existem para resolver determinadas situações. Por exemplo, atualmente é possível o escritório de advocacia saber a forma como um juiz pode julgar um processo. Essa é a evolução e o resultado de certos questionamentos, que podem surgir por intermédio do design thinking:

  • o que se quer da Justiça?
  • É o desejo das pessoas esperar quase 40 anos para que um processo se resolva?
  • As pessoas querem  uma solução para o problema?

Muitas das respostas dadas até hoje resultaram na migração da advocacia do ambiente físico para o virtual. As plataformas de mediação são um exemplo desse movimento. Ou seja, o design thinking na advocacia é, também, uma maneira de mudar o olhar para a forma como o Direito ainda atua. Mudança que é necessária, apesar de ser desafiadora.

Um princípio que pode norteá-la é a noção de que Justiça não é necessariamente o que o advogado quer, e sim o que o cliente espera. E como saber o que o cliente espera? A metodologia design thinking pode gerar muitas respostas quando aplicada na advocacia.

Contribuições do design thinking na advocacia

O conceito do design thinking apenas recentemente começou a ser inserido na área do Direito. Em parte, a metodologia é vista como uma ferramenta de inclusão, pois pensa no todo. Significa que o foco está no ser humano. O interesse das pessoas em serem participativas, discutir e entender algo é um dos combustíveis do design thinking.

Uma das recomendações é usar a metodologia em um projeto mais longo, para solucionar qualquer desafio que apareça e necessite de novas ideias. Isso pode ser feito de algumas formas:

1. Junto com a equipe

Tudo é válido quando se elabora novas alternativas com a equipe. Desde benchmarking e participação em eventos, a viagens. Qualquer experiência pode gerar insights e contribuir para a solução de um desafio no escritório de advocacia.

O importante é a equipe estar reunida para debater a situação e trazer, cada um, a  sua vivência para  a discussão. Esses momentos podem ser esporádicos, ou seja, realizados quando há algo pontual, ou periódicos. Pode ser determinado um dia e um horário específico para esses encontros, e uma frequência. Por exemplo, uma vez por semana para que o compartilhamento de experiências ocorra, estabeleça-se uma cultura e novas ideias surjam.

2. Com apoio de um mentor

Engana-se quem pensa que o design thinking na advocacia só é possível aos grandes escritórios, integrados por muitos profissionais. Advogados que só tem a si mesmos para desempenhar todas as atividades também podem trabalhar com o design thinking, desde que possuam um suporte.

Esse apoio pode vir de outra pessoa, com quem possui algum relacionamento e que pode ser vista como um mentor. O importante é que ela detenha experiência e conhecimento com que contribuir.

Como não há uma relação de trabalho, nesse caso, é preciso coordenar as agendas para que esses encontros e essas conversas possam acontecer com uma certa frequência. A criação de uma cultura design thinking depende de constância e periodicidade.

3. Mudando o pensamento

Um dos princípios da inovação é não ter  medo de errar. O design thinking vai gerar ideias que podem não parecer muito aplicáveis. Mas, sem colocá-las em prática, como será possível ter certeza se funcionam ou não?

Esse pensamento precisa se sobressair aos demais, pois, outra parte do design thinking é essa: criar a solução, testar, reformulá-la ou descartá-la, caso seja identificada a necessidade de ajustes ou se a ideia não obtiver qualquer resultado. Tudo isso em ciclos muito rápidos, para haver a chance de testar novas possibilidades o mais cedo possível.

Em muitas situações, a ideia de que a solução não trará qualquer retorno impede de ao menos fazer uma tentativa. Esse é o pensamento que precisa ser alterado. Até porque se não for para realizar testes com as soluções que se apresentam, não há porque investir tempo em colocar o design thinking em prática. É preciso se desafiar a agir.

Com essas três maneiras de inserir o design thinking na advocacia, é possível entender que a metodologia não é algo linear. Não é um técnica com um roteiro a ser seguido, com começo, meio e fim, e sim com diversas possibilidades que funcionam tanto separada quanto conjuntamente. Basta escolher a que melhor se enquadra ao escritório para praticá-la e transformar a  maneira de pensar a advocacia.

Antes, vale observar o mercado para verificar  se já há alguma solução tecnológica capaz de responder a algumas perguntas. Por exemplo, se existe uma maneira mais fácil de peticionar. Uma sugestão para começar é o eBook Escritório digital: como a tecnologia está mudando a prática do Direito.



Diane Ziemann
Author: Diane Ziemann
É formada em Jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Tem experiência em redações e agências do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já trabalhou como repórter, editora e assessora de imprensa. Atualmente, é produtora de conteúdo da área de Inovação, na Unidade de Justiça da Softplan.

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