Correspondente jurídico: como saber a hora de contratar?

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No caso de o escritório de advocacia querer contratar um correspondente jurídico, é porque já sabe quais serviços podem ser prestados por esse profissional. Também já sabe quais são os serviços que o escritório ou departamento necessita que o correspondente faça. Realmente, conhecer no que um correspondente jurídico pode ajudar e a demanda de trabalho existente é o que determina se é o momento certo para essa contratação. 

Mas não são apenas essas duas questões que são relevantes para a contratação do correspondente, embora sejam as principais. Há que considerar, também, o tipo de contrato de trabalho com que o correspondente está habituado a trabalhar. Além disso, é importante levantar o valor a ser pago pela assistência jurídica que será prestada. Já havia pensado nisso?   

Questões como essas também são determinantes para já contratar um correspondente jurídico ou não. Afinal, elas têm um impacto direto nas despesas do escritório ou departamento. Por essa razão, é preciso ter certeza de que a gestão financeira não será comprometida com a aquisição desse novo serviço. 

De fato, não tem como saber sem coletar essas informações previamente no mercado. No entanto, antes de gerar uma expectativa nos profissionais a consultar, certifique-se de que o seu escritório está maduro para coordenar essa contratação. Há algumas formas de fazer essa autoanálise. Prepare o checklist. 

Checklist para contratar um jurídico correspondente 

Um correspondente jurídico pode ser contratado para atuar em qualquer área do Direito. Então, algo a considerar é se o ato: 

  • é cível; 
  • é penal; 
  • é trabalhista; 
  • envolve assembleias de credores; 
  • requer sustentação oral. 

Saber isso ajuda a direcionar a contratação, pois, permite localizar correspondentes que atuam em áreas específicas. Isso é útil no caso de haver preferência por uma colaboração especializada. 

Além disso, empresas têm que colocar nesse checklist, para termos de comparação de custo, o quanto dos seus recursos é destinado ao ressarcimento dos gastos que os funcionários têm quando precisam representá-la em atos jurídicos. Às vezes, esses atos ocorrem em cidades distantes daquela em que está localizada a sede da empresa. 

Caso não queria ser tão específico, o checklist pode ter apenas o tópico “comparar valor do contrato do correspondente com custos da equipe”. Assim, permanece o lembrete para realizar esse cálculo. 

Quando o escritório de advocacia não tem planos de expandir e ampliar a equipe para as cidades em que surgem algumas das demandas processuais, a terceirização das atividades é uma alternativa. A questão é que é necessário verificar se a cidade em questão realmente possui um correspondente jurídico. Portanto, esse é mais um item para o checklist. 

Outro, é levantar a forma como o correspondente prefere que seja feito o contrato. Muitos preferem fazer um contrato para estabelecer os honorários advocatícios. Os demais, optam por receber de acordo com o tipo de tarefa que realizam. Então, o que pode constar no checklist em relação a isso é “realizar estudo da relação tarefa x correspondente x tipo de contrato x valor”. 

Ao completar o checklist, o escritório ou departamento terá todas as informações necessárias para ponderar sobre a contratação. Nessa análise, é preciso observar os pontos destacados a seguir. 

Será o momento de contratar? 

Todas as sugestões dadas para o checklist consideram que o escritório terá tempo hábil para planejar a contratação do correspondente jurídico. Esse planejamento é valioso para poder escolher um parceiro qualificado e gerar um bom relacionamento de trabalho com ele. Entretanto, esse cenário ideal nem sempre é uma realidade possível. Parte disso, em função de que certas solicitações são de caráter urgente. Ainda assim, é possível usar as recomendações para fazer uma boa análise. Dessa forma, evita-se comprometer as estratégias já definidas pela equipe do escritório ou departamento. Afinal, sempre que for fazer algo, o estará realizando em nome dessa equipe. Então, aqui entra um ponto importante que é a comunicação. 

Certamente, nos primeiros contatos feitos com o advogado correspondente, uma primeira opinião já foi formada sobre a forma como ele se comunica. Essa percepção deve ser uma das “cartas postas na mesa” da decisão a respeito da contratação. 

A ética profissional é outro ponto extremamente relevante nesse contexto. Até porque, é a reputação do escritório ou do departamento que estará em xeque. Então, ética é um pré-requisito inegociável. 

Por fim, reputação e qualificação devem estar presentes na decisão sobre o correspondente a se contratar. A reputação porque dificilmente o escritório ou departamento irá querer ter a marca do cliente ou da empresa associada a um advogado com má fama. Qualificação porque é preciso confiar que caso surja qualquer imprevisto que exija a decisão unilateral do correspondente, ele detém a aptidão necessário para resolvê-lo. 

Artigo publicado originalmente no blog do Convex Legal Analytics



Author: Diane Ziemann
É formada em Jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Tem experiência em redações e agências do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já trabalhou como repórter, editora e assessora de imprensa. Atualmente, é produtora de conteúdo da área de Inovação, na Unidade de Justiça da Softplan.

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